O OBREIRO E A ÉTICA NO PULPITO

CUIDADOS A SEREM OBSERVADOS PELO PREGADOR

Convidado para pregar em uma Igreja, João chegou ao culto quase na hora da pregação e foi logo “puxando” conversa com os obreiros que ali estavam. Muito à vontade, sentou-se com as pernas bem esticadas. Ele parecia não se importar com a platéia, pois se coçava com muita naturalidade e tamborilava na cadeira do púlpito enquanto os jovens louvavam a Deus.
De repente, ouviu-se uma estridente música em ritmo merengue, capaz de fazer com que as pessoas sentadas nos primeiros bancos olhassem para a tribuna – era o celular do pregador convidado.
Alô! Tudo bem, Eufrásia? Estou aqui na Igreja do Pastor Herculano. Vou pregar daqui a pouco... Quem olhava para ele podia perceber que não estava nem um pouco preocupado com o andamento do culto. Além de chegar atrasado, não cantava os hinos nem prestava atenção às pessoas que falavam... Chegou, então, o momento da pregação. E João, saudando os irmãos, disse que chegara tarde em virtude dos “muitos compromissos” e começou a “pregar”.
- Antes de eu falar um pouco das grandes coisas que Deus tem feito através do meu ministério, saia do seu lugar e cumprimente o seu irmão...
Depois de alguns minutos, leu um versículo bíblico e começou a contar vários testemunhos e experiências. Seu sermão era, na verdade uma palestra motivacional, e não uma mensagem cristocêntrica, baseada na Palavra de Deus. As citações bíblicas eram raras. E, quando isso acontecia, ele utilizava expressões pouco conhecidas dos não-crentes.

Ao perceber que o povo estava um tanto enfadado de ouvir testemunhos e experiências, resolveu contar umas piadinhas e pedir às pessoas que olhassem umas para as outras e repetissem frases de efeito.
Na verdade, não era necessário o pregador fazer o povo rir. Havia algo estranho na roupa e no comportamento dele que já estavam sendo motivo de riso. Sua calça estava frouxa na cintura, obrigando a suspende-la. Às vezes, punha as mãos no bolso, provavelmente para segurar a calça. Não bastasse isso, sua gravata estava vem desajeitada.
Mas os problemas não eram apenas esses! Ele falava “atropelando” as palavras e gritava demais. Ficou clara a sua tentativa de querer avivar a Igreja por conta própria. Quando citava algum texto bíblico, o fazia sem nenhuma expressividade. No entanto, ao falar de seu passado, dava muita ênfase e glorificava a Deus fora de contexto... Irmãos, eu era um ébrio! Glória a Deus!
Para piorar, o trejeitoso pregador, ora olhava para o teto, ora mirava o chão! Alguns irmãos, incomodados – e aproveitando que as horas estavam avançadas -, retiraram-se do recinto, alegando não suportar a gritaria e o artificialismo do preletor convidado. Outros, que ficaram até o fim, arrazoaram:
- Nenhuma alma se entregou a Jesus! E estamos voltando para casa “vazios”. Será que tudo não teria sido diferente se o pregado expusesse a Palavra de Deus com simplicidade, em vez de falar tanto de si mesmo e interagir exageradamente com o público?
A SIMPLICIDADE DO PREGADOR
A narrativa mencionada acima mostra que o pregador não deve se apartar da prudência e da simplicidade que há em Cristo (Ef. 5:15 e II Co. 11:3). Lembremo-nos do que Jesus disse aos seus mensageiros: EIS QUE VOS ENVIO COMO OVELHAS AO MEIO DE LOBOS; PORTANTO, SEDE PRUDENTES COMO AS SERPENTES E SÍMPLICES COMO AS POMBAS” – Mt. 10:16.
Muitos, em vez de agir com simplicidade, recorrem à excentricidade dramática! Preferem o ritualismo, o formalismo e o artificialismo. É claro que não precisamos adotar uma imobilidade sepulcral, mas devemos nos portar com sabedoria diante da Igreja de Deus (I Co. 10:32), a fim de que sejamos exemplos em tudo (I Tm. 4:12).
Como deve ser a nossa postura ao pregar o Evangelho? O mestre Jesus – Nosso maior exemplo (Jo. 13:15) – simplesmente expunha a Palavra de Deus: “E, ABRINDO A BOCA, OS ENSINAVA, DIZENDO: BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPIRITO...” – Mt. 5:2-3.
Alguns pregadores dramatizam ao extremo. Sentam-se ou se deitam no piso do púlpito; provocam as pessoas ou usam-nas como coadjuvantes; e fazem gracejos ou brincadeiras de mau gosto. Esquecem-se de que a sua missão é apenas expor a Palavra, e não chamar atenção para si (Jo. 1:22-23 e 3:30).
Pregue com naturalidade, sem gesticulação excessiva e uso abusivo de recursos do tipo: “Quem achou diga amém; quem não achou diga misericórdia” ou “Olhe para o seu irmão e diga isso ou aquilo”. Certo pregador exagerou tanto, a ponto de dizer ao público: “Fale para o seu irmão: Você é uma menina”, concluindo que somos a menina dos olhos do Senhor! Imagine a cena...
Não quero, com esses exemplos, incentivar você a ser uma estatua. Para ser simples, não é necessário abrir mão da personalidade e da ousadia no falar (At. 9:29). Seja autêntico.
O OBREIRO E A LINGUAGEM
A linguagem do obreiro também deve ser simples, não rebuscada. Não é preciso empregar palavras difíceis e raras (I Co. 2:4-5). O pregador deve falar de tal modo, que possa ser entendido até pelas crianças. Você pode até utilizar uma palavra que não seja usual, porém explique o seu significado. Caso contrário embora todos admirem o seu belo português, ficarão, sem entender o que quis dizer.
Outro erro é empregar expressões chulas, mesmo com boa intenção de querer falar a linguagem do povo. Há algum tempo, ouvi um pregador dizendo: “Irmãos, Jesus nunca deu uma mancada. Nós sempre damos mancadas, mas ele nunca manca..” Ora, isso é linguagem de um pregador do Evangelho?

Evite a linguagem demasiadamente coloquial, não digna de uma tribuna santa (Tt. 2:8). Gírias e expressões populares, salvo exceções, devem ser descartadas. É claro que, ás vezes, valer-se de uma ou outra expressão popular pode facilitar a comunicação ou exemplificação de uma verdade. Mas isso é uma exceção! Em geral, empregar uma linguagem assim não é bom.
Muitos crentes – inclusive obreiros – não se preocupam com a linguagem. Não lêem nem se aperfeiçoam na gramática; consideram que orar e jejuar são o suficiente. Conquanto essas ferramentas sejam indispensáveis, estar bem preparado na arte de falar é uma grande virtude (I Tm. 4:13 e At. 19:24-25).

Por incrível que pareça, já ouvi até profecia com emprego de gírias! O “profeta” disse a uma pessoa: “Meu servo, fica frio. Eu vou te tirar dessa gelada!” Nesse caso, a mensagem “profética”, em vez de edificar, consolar ou exortar (I Co. 14:3), resultou em descontração, pois todos começaram a rir da estranha predição.
PRATICAS QUE O OBREIRO DEVE EVITAR:
1) Conversar com os companheiros à Sabemos que existem exceções (as vezes, há assuntos relacionados com o bom andamento do culto), mas há obreiros que conversam à vontade; brincam, riem, fazem gestos... Será que não percebem que há várias pessoas os observando? Atenção para o conselho de Paulo: “EM TUDO TE DÁ POR EXEMPLO DE BOAS OBRAS...” – Tt. 2:7.
2) Assentar-se deselegantemente à A cadeira do púlpito não é o sofá de nossa sala! Não é um lugar para relaxar. Alias, o obreiro, embora sentado, deve estar preparado, sabendo que poderá entrar em ação a qualquer momento, para pregar, orar ou cumprir algum procedimento litúrgico (At. 2:2, 14). Estejam pronto!
3) Falar ao celular à Entendo que hoje o telefone móvel tornou-se algo comum. Entretanto, atende-lo no púlpito, mesmo em uma emergência, é um péssimo exemplo. Tenha visto obreiros atender chamadas no púlpito com a maior tranqüilidade... E ainda falam alto, riem, discutem etc.

Ora, se não for possível desligar o celular, use o modo vibrador, disponível em quase todos os aparelhos. Dia desse, se eu não tivesse adotado tal procedimento, teria passado por um grande vexame. Durante a pregação, meu telefone “tocou” sete vezes!
4) Não participar do culto à Os obreiros devem ser os principais crentes da congregação, pois todos se espelham neles. Nesse caso, devem orar, cantar os hinos congregacionais, prestar atenção quando alguém estiver testemunhando ou pregando etc. Um mau costume de alguns preletores, inclusive, é chegar quase na hora da pregação... Procura chegar no horário.
5) Contar testemunhos em vez de pregar a Palavra à Há obreiros que pensam que pregar é ficar contando experiências. Isso não é pregação! A exposição tem de ser bíblica e cristocêntrica. Um ou outro testemunho pode até ser empregado para reforçar uma verdade da Escrituras; apenas isso. “CONJURO-TE, POIS (...) QUE PREGUES A PALAVRA...”- II Tm. 4:1-2.
6) Usar corretamente a oportunidade dada à A obreiros que é dado a oportunidade de trazer uma saudação a Igreja, e o mesmo então, cumprimenta a Igreja, lê o maior texto que encontra na Bíblia, prega, testemunha, ora, canta e depois agradece a oportunidade. Isto é falta de ética e educação. O obreiro tem que ter postura e ética, se for dado a oportunidade para uma saudação, de os cumprimentos à igreja e agradece; se for para cantar, não lê nenhum texto testemunhe e nem ore, só cante e agradece a oportunidade.
7) Pregar com as mãos no bolso ou suspender calça enquanto fala à Ás vezes, fazemos algumas coisas por mania ou cacoete. Não me interprete mal; a minha intenção ao escrever sobre isso é orientar. No entanto, pregar com as mãos no bolso ou ficar suspendendo a calça não fica bem para um obreiro. É melhor apertar o cinto ou usar um suspensório...
8) Pregar com o colarinho e a grava desajeitados à Lembro-me de que uma vez um obreiro chegou à congregação com a gravata por cima do colarinho. Tentei ajuda-lo, para que não passasse por uma situação constrangedora, mas ele – curiosamente – disse que gostava de usar a gravata daquela forma! Bem, embora haja gosto para tudo, não podemos nos dar ao luxo de fazer tamanha extravagância.
9) Pregar com roupa amassada ou sapato sujo à Lembro-me de certa feita estava em uma congregação, um obreiro que tinha carro iria pregar naquela noite chuvosa. Subiu a tribuna de carpete vinho com o sapato cheio de barro, a qual ficou as marcas das pisadas, da escada ate seu assento. No momento que começou a pregar começou a transpirar e tirou o paletó, e o mesmo estava com a camisa toda amassada que parecia que tinha tirado debaixo de uma pedra. A palavra de Deus nos ensina ser humilde de coração e não relaxados, o apostolo Paulo traz um aconselhamento acerca disto “PROCURA APRESENTAR-TE A DEUS APROVADO, COMO OBREIRO QUE NÃO TEM DE QUE SE ENVERGONHAR...” – II Tm. 2:15.
Diante do exposto, quero enfatizar que o púlpito – embora muito hoje o estejam transformando em palco – é um lugar sagrado. Dele se ministra a Palavra do Senhor: “E ESDRAS, O ESCRIBA, ESTAVA SOBRE UM PÚLPITO DE MADEIRA, QUE FIZERAM PARA QUELE FIM... E ESDRAS ABRIU O LIVRO PERANTE OS OLHOS DE TODO O POVO...” – Ne. 8:4-5. Que não subamos nele se não estivermos preparados (II Tm. 2:15).

Valorizemos o privilégio que temos de ser mensageiros do Senhor, pregando a Palavra – e somente a Palavra – com temor e tremor (I Co. 2:3).

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