IGREJA É COMUNICAÇÃO

Na igreja, o altar comunica. As roupas comunicam. A organização dos bancos e dos outros móveis comunica. O olhar dos membros para com o visitante comunica. A música comunica. A limpeza das áreas comuns, inclusive banheiros, comunica. A mensagem pastoral comunica, ainda que cada vez menos. O boletim tenta comunicar. Tudo na igreja é comunicação.


Essa realidade é percebida por todos os líderes que buscam o crescimento sustentado de sua comunidade de fé. A migração eletrônica e midiática de muitas denominações demonstra que às vezes é possível ser uma igreja de um só ou poucos templos e contar com centenas de milhares de fiéis, muito mais do que os que freqüentam semanalmente os espaços dedicados aos cultos e outras reuniões. Se isso é bom ou não só é possível avaliar pelos frutos que permanecem, não apenas numéricos, mas conforme orientado pela Bíblia.


Ainda há muitos pastores que acreditam erroneamente ser a sua palavra obrigatoriamente o centro da liturgia. Permanece a ilusão que essa mensagem é suficiente, em meio à cacofonia de manifestações religiosas contraditórias que as pessoas estão sujeitas no seu dia-a-dia. Pior ainda, se encontram líderes eclesiásticos que lidam com sua vocação de forma burocrática, sem dedicar tempo à visitação durante a semana, atendimento pastoral em horário comercial e mesmo em fazer contatos telefônicos nos momentos de maior significado na vida dos membros.


Saber dominar os canais possíveis de comunicação e envolver a liderança laica nos esforços de comunicar é algo essencial para frutificar nos dias atuais. Imaginar que ficar fora da Internet não faz diferença é correr o risco de ver aumentar a faixa etária média dos membros com poucas possibilidades de renovação. Não treinar alguém da secretaria ou a si mesmo no uso das ferramentas sociais de interação, utilizando-se do computador para produzir desde malas diretas até blogs é certeza de perder pouco a pouco a capacidade de influenciar seu rebanho de forma mais efetiva.


Não abraçar, não sorrir, não ouvir, não estar atento a um olhar mais triste ou preocupado, todas essas atitudes impedem o fluir da comunicação. Ter pressa todo dia para ir embora é o sinal mais claro que o pastor perdeu boa parte do contato com sua congregação. Escrever bonito, mas de um jeito que só teólogos entendem, é praticamente o mesmo que faziam os escribas tão criticados nos evangelhos. A comunicação na Igreja deve servir para atrair a todos quanto possível para se converterem a Cristo. A cruz comunica:E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim.” João 15: 32.


A comunicação é algo tão importante que precisa ser pensada de forma estratégica. A preocupação em ser uma igreja que comunica adequadamente deve ser parte de uma filosofia que orienta cada iniciativa e atenção para com os membros, potenciais membros e a sociedade em geral.
Há quatro tipos de problemas que podem interferir nesse processo:
 
1. Barreiras mecânicas ou físicas, quando, por exemplo, o equipamento de som está muito alto, baixo ou distorce a voz;
2. Barreiras fisiológicas, quando disfunções genéticas e deficiências impedem, dificultam ou atrapalham a comunicação;
3. Barreiras psicológicas, quando crenças, atitudes, cultura ou valores colaboram com o preconceito e alimentam estereótipos;
4. Barreiras semânticas, quando o uso de uma linguagem inacessível ou fora da realidade do receptor impede a compreensão ou não gera o efeito desejado.


Num tempo de sobrecarga de informações, a igreja corre o risco de ser apenas mais uma – frágil - voz que não consegue influir na vida das pessoas. Nesse cenário, não ganha quem grita mais alto, mas sim, quem tem a palavra certa, no momento correto, anunciada da melhor maneira possível, com interesse genuíno pela felicidade do outro. “Quão boa é a palavra dita a seu tempoProvérbios 15: 23. “As palavras suaves são favos de mel, doces para a alma, e saúde para os ossosProvérbios 16: 24.


Para sobreviver atualmente todos aprenderam a ter uma percepção seletiva do que lhes é comunicado. Alcançar credibilidade, confiabilidade e pertinência para que a comunicação chegue até seus destinatários e realmente faça diferença é uma tarefa cotidiana, árdua e que merece reflexão. Uma coisa é certa: o modelo tradicional e já pasteurizado de ‘louvor (cheio de mini-mensagens) + palavra (às vezes demasiadamente longa e sem foco) + apelo (sem gerar compromisso real)’ não dá conta de manter uma congregação alimentada o suficiente para se firmar na fé e não se sentir atraída por outras ofertas religiosas.


Há sempre o risco da igreja local se tornar tão fechada, hermética, que a linguagem se restringe aos iniciados e afasta novos interessados. Quando se chega a esse ponto, que ninguém mais se preocupa com a comunicação, deixou de ser igreja e passou a ser clube social, restrito a sócios e com tendências elitistas. Ser igreja de verdade é buscar se comunicar como Cristo ensinou, para todos e com a palavra certa.

Leia o livro “Planejamento de Relações Públicas na Comunicação Integrada” (2003), de Margarida Kunsch, pela Editora Summus Editorial

Site: www.institutojetro.com
Autor: Luciano Sathler

Publicado em 29/11/2008.

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