ÉTICA DO OBREIRO E O RELACIONAMENTO ENTRE SEUS COLEGAS

COMPORTAMENTO MINISTERIAL
O comportamento ministerial tem sido definido como “Ciência Moral”. Trata-se de um alto padrão de conduta humana que envolve consideração e cortesia por todos os homens. O modelo de comportamento para o obreiro de modo geral e para o Pastor especificamente “é” Jesus, o Sumo-pastor e Mestre.

Cabe ao obreiro conhecer os diversos contextos em que vive e exerce seu ministério:
1) O contexto espiritual - Onde Jesus é o Senhor (Fp. 3:8) e o obreiro conta com a presença, a graça e o poder do Senhor, sem a presença de Jesus, o homem nada pode realizar (Jo.15:5; 21:3); a alma do homem é imortal e sua restauração é alvo principal do ministério evangélico; o obreiro tem um inimigo terrível, já vencido, mas que não descansa. Nesta luta, a vitória é certa (Ef. 6:10-13; Rm. 8:37).
2) O contexto social - Onde o obreiro vive, trabalha e exerce sua cidadania. Uma sociedade cheia de injustiça, ódio e promiscuidade, mas ao servo de Deus é concedido a graça de conviver com os homens, sem se contaminar, vencendo as barreiras para proclamar a mensagens do Evangelho.
3) O contexto religioso - Onde existem religiões para todos os gostos, princípios e filosofia. Compete ao homem de Deus pregar o evangelho genuíno, sem agredir ninguém, respeitando o direito de liberdade religiosa, garantido pela constituição.
4) O contexto político - Formado por instituições públicas e privadas, com as quais o obreiro e a Igreja têm que se relacionar de forma correta e digna, sem aceitar corrupção, suborno ou associações ilícitas.
OBJETIVO DO MINISTÉRIO
A tarefa principal do ministério do obreiro é a pregação da Palavra de Deus, realizada de três modos diferentes, embora co-relacionados, como no ministério de Jesus (Mt. 4:23):
a) Pregar - Anunciar as Boas Novas a todos os que não conhecem;
b) Ensinar - Não é apenas transmitir conhecimento, mas é fator de mudança, correção e edificação, através da Palavra de Deus, embora nem todo professor tenha o dom Pastoral, todo Pastor tem o dom de ensinar;
c) Curar - Comunicar as verdades espirituais através da ação sobrenatural de Deus.
PERIGOS NO CAMINHO DO OBREIRO
1) Acomodação - (I Tm. 4:14; II Tm. 2:3-5; I Co. 9:25-27): Usas as mesmas mensagens, manter tudo como está, é uma cilada para o obreiro, que deve manter sua saúde ministerial através de autodisciplina, vida devocional (leitura), alto padrão moral e de santidade, cursos de aperfeiçoamento, reciclagem.
2) Profissionalismo - (At. 20:7: 11): O obreiro, mesmo em tempo integral, é um vocacionado e a força que o motiva é o amor profundo aos homens, ao evangelho e ao Senhor. Embora alguns sejam assalariados, não é por dinheiro que trabalham. Alguns afirmam que vivem “pela fé”, mas não pregam, cantam ou tocam sem saber de quanto será a oferta. Há pregadores e cantores que além de exigir um valor alto pela sua participação no culto ou congresso, ainda exigem o hotel no qual se hospedarão e a marca do carro que fará o transporte. A escritura diz que o obreiro é digno do seu salário (I Tm. 5:18), mas também que se deve juntar tesouros no céu (Mt. 6:20).
3) Tentações sexuais - (I Pe. 5:8-9): A recomendação Bíblica é que obreiro seja casado e que seja um marido irrepreensível. Grandes partes dos problemas começam quando o relacionamento conjugal está em crise ou o obreiro sofre desajustes na área sexual. Uma forma de evitar o assédio é fazer da esposa uma companhia constante em reuniões de aconselhamentos, visitas ou saídas ocasional. Quando a crise conjugal é muito seria e o dialogo já não é possível, convém procurar a ajuda de um conselheiro experiente.
4) Inveja e cobiça ministerial - Alguns obreiros, insatisfeitos com o lugar que ocupam na obra de Deus caem na cilada de desejar estar no lugar de outro obreiro, numa congregação maior ou melhor localizada, sem considerar que cada um deve ser diligente, segundo o dom que recebeu do Senhor (I Co. 12:12-30; Rm. 12:3-8). Para vencer esta tentação, o obreiro deve perguntar a si mesmo se está no centro da vontade divina, exercendo suas funções de acordo com os seus propósitos.
5) Tentações do púlpito - O púlpito é lugar de força, mas também de reverência. É dele que o obreiro prega e ensina a Palavra de Deus a fim de aperfeiçoar os santos e salvar os perdidos. As armadilhas mais comuns são a auto-exaltação, excesso de confiança em sua capacidade, pregar a Palavra sem compromisso de viver conforme o que ela diz, mentir ou exagerar ao contar uma ilustração ou história, falar o que as pessoas querem ouvir e não o que o Espírito Santo que dizer, manipular os ouvintes com pregações excessivamente emocionais, usar o púlpito para desabafar ou criticar abertamente os membros, relaxar na preparação da mensagem por preguiça ou comodismo, copiando pregações de livros, rádios ou pela internet. O obreiro deve lembrar-se que o Senhor tem compromisso com o Seu povo e mais cedo ou mais tarde, prestará contas do trabalho que realiza.
6) Sacerdotalismo - A história da Igreja registra como uma marca negra, o momento em que os obreiros afastaram do corpo e passaram a domina-la com leis rigorosas e antibíblicas. Com a Reforma Protestante, o sacerdócio universal dos crentes foi novamente praticado (I Pe. 2:9). Infelizmente, em nossos dias, esta ameaça volta a rondar nossas Igrejas. Obreiros que se colocam em posição de superioridade, fazendo valer sua autoridade para justificar suas atitudes, estabelecem a Igreja como seu território, onde podem fazer leis e regulamentos, conformem sua conveniência, impõe seus filhos e parentes ao ministério, mesmo sem vocação, para manter o seu domínio. Cuidado, o Senhor vive!
O RELACIONAMENTO ENTRE O OBREIRO E SEUS COLEGAS
A relação entre os obreiros e colegas de ministério é também algo que deve ser definido por um bom código de ética. É prejuízo para a Igreja quando surgem atritos e mal-entendidos entre os ramos do ministério evangélico ou entre os obreiros. O amor e o respeito entre eles devem ser exemplo para o rebanho, expresso por ajuda mútua, desejo sincero de ver o progresso do outro como crescimento do Reino de Deus. Os comentários sobre atitudes ou trabalho de outro obreiro devem ser evitados, evitando depreciar a figura do obreiro ou fazer julgamento impróprio (Tg. 4:11-12).
Quando o obreiro receber a visita de outro, devidamente identificado, deve apresenta-lo, convidando-o a sentar-se junto a ele, se for possível ou dando oportunidade para dirigir uma Oração. Não é aconselhável convida-lo a pregar, sem conhece-lo, melhor considerar uma outra ocasião em que terá tempo para preparar a mensagem.
Ao convidar um preletor, o obreiro deve ter o cuidado de perguntar sobre suas despesas de condução, alimentação ou hospedagem, oferecendo-lhe a quantia necessária para honrar com estes compromissos. Pregadores itinerantes e missionários, em geral tem família para sustentar, dependendo de ofertas para se manter. É conveniente que estes detalhes sejam combinados antes, a fim de evitar reclamações de ambas as partes.
Quando o obreiro for convidado para uma reunião de caráter interdenominacional, não convém tirar vantagens da ocasião. Algumas vezes, varias denominações cooperam num culto coletivo, como na época de Natal, Dias da Bíblia ou dia de Ação de Graças. Caso o obreiro seja solicitado nessa ocasião, escolha um assunto aceitável a todos os ouvintes, evitando pontos doutrinários ou discordantes.
As questões que porventura surgirem entre os obreiros devem ser resolvidas considerando-se o bem maior da obra de Deus, onde deve prevalecer o bom senso e a justiça.
COISAS QUE O OBREIRO DEVE EVITAR
1) Ele jamais deve criticar sua denominação, a não ser que isso ocorra numa tribuna convencional (I Co. 6:7).
2) Deve ser cauteloso no modo de cumprimentar as pessoas do sexo oposto (I Tm. 4:12).
3) Deve ser reservado quanto às confidências feitas por um membro da Igreja (Tg. 3:17-18).
4) Deve ficar fora das questões que surjam na Igreja, as quais não lhe dizem respeito, a não ser que seja convidado a dar uma Palavra de conselho (Pv. 26:17).
5) Somente deve aceitar convite para pregar em outra Igreja quando formulado pelo Pastor ou seu substituto legal.
6) Deve cultivar junto aos companheiros o hábito da franqueza, bondade, lealdade e cooperação (Rm. 12:10).
7) Não deve interferir nos assuntos de outra Igreja e nem exercer proselitismo.
8) Jamais deve humilhar a alguém com duras palavras por causa do preconceito racial, porque Deus não faz acepção de pessoas (At. 10:34-34).
9) Não deve criticar ou ter inveja de alguém que é reconhecidamente melhor do que você; mas antes ore por ele, para que cumpra até o fim, com fidelidade, a sua vocação (Pv. 14:30).

10) Não se deve entrar em juízo contra alguém sem antes apresentar o problema e esperar uma solução da direção da Igreja (I Co. 6:1-2).

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